Esta pergunta apenas pode ter duas respostas. Analisemos os cenários que se desenvolvem a partir das diferentes respostas.
Sim. Neste caso, como o Estado funciona deve-se continuar as políticas e os projectos desenvolvidos. Se o Estado funciona não há motivo algum para alterar de forma arrojada a sua maneira de trabalhar. No entanto, isso não impede que sejam adoptadas certas medidas que visem tornar mais eficiente o funcionamento do Estado.
Não. Neste caso, estamos perante um cenário que exige medidas mais drásticas. Se o Estado não funciona é preciso mudar a sua forma de actuar e os seus agentes, para que este funcione. Os responsáveis pela má gestão e inoperância do Estado têm de ser substituídos por pessoas competentes que eliminem os maus hábitos anteriores. É preciso que os meios do Estado sejam aplicados de forma eficiente, e transparente, independentemente das funções.
Perante isto, posso concluir que Portugal não funciona, pelo menos enquanto Estado. Este país tem um problema de consolidação orçamental e sustentabilidade das finanças públicas crónico. A nossa dívida pública é 76,6% do PIB e o défice orçamental de 9,3% (dados do Orçamento de Estado).
Portugal gasta mais do que produz. Vamos supor que uma pessoa recebe por mês 500€ e gasta 700€ por mês de forma incessante. Obviamente, que vai chegar um momento em que não terá dinheiro suficiente para manter o nível de vida. Neste cenário vai pedir dinheiro emprestado, com juros, para manter o nível de vida. Como é óbvio vai chegar a uma altura em que não terá mais margem para pedir dinheiro emprestado e terá de se ver livre dos bens que adquiriu, mas agora por muito menos dinheiro, para manter esse nível de vida. Logicamente haverá um momento em que nada mais terá para vender e em que terá dívidas para pagar.
A melhor forma de evitar este cenário é cortar na despesa, uma vez que aumentar a receita é deveras mais complicado. Portanto, gastar mais do que se ganha é um erro, se isso for a prática corrente.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Invictus
Tenho de admitir que ainda não vi o filme. Sem ver um filme é difícil ter alguma opinião correcta sobre a sua qualidade e rigor histórico. Porém, mesmo sem ainda ter visto o filme, há alguns pontos a que posso fazer referência.
Para mim só Morgan Freeman poderia interpretar o papel de Nelson Mandela, porque só um grande actor como Freeman tem o direito de assumir um papel deste nível. Atrevo-me a dizer que Freeman estava destinado a tornar-se Mandela no cinema.
Depois um filme sobre a vida de Mandela tinha uma dificuldade acrescida, uma vez que ele passou 26 anos na cadeia. Portanto, retratar a sua vida no cinema, por mais atractivo que seja, sempre deve ter sido encarado pelos argumentistas como um grande desafio e um grande problema para resolver.
Invictus é o cortar do nó górdio. Clint Eastwood ao pegar num evento descrito como ‘um jogo que mudou uma nação’ presta a homenagem que Mandela merece. Mandela é um símbolo vivo de resistência, de tolerância e de perdão, por isso um filme era necessário.
Para mim só Morgan Freeman poderia interpretar o papel de Nelson Mandela, porque só um grande actor como Freeman tem o direito de assumir um papel deste nível. Atrevo-me a dizer que Freeman estava destinado a tornar-se Mandela no cinema.
Depois um filme sobre a vida de Mandela tinha uma dificuldade acrescida, uma vez que ele passou 26 anos na cadeia. Portanto, retratar a sua vida no cinema, por mais atractivo que seja, sempre deve ter sido encarado pelos argumentistas como um grande desafio e um grande problema para resolver.
Invictus é o cortar do nó górdio. Clint Eastwood ao pegar num evento descrito como ‘um jogo que mudou uma nação’ presta a homenagem que Mandela merece. Mandela é um símbolo vivo de resistência, de tolerância e de perdão, por isso um filme era necessário.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Legitimidade
É interessante reparar que a maioria das pessoas tem sempre algum motivo de queixa. As queixas são variadas, mas há um pequeno detalhe que é comum a todas elas: a pessoa que se queixa não tem nenhuma responsabilidade no assunto, apesar de ser afectada directamente por ele. Curioso este mundo, no qual as pessoas são vítimas das acções dos outros e apenas e só deles. Afirmo isto porque não me recordo de ter visto alguma vez uma pessoa queixar-se de algo enquanto admite parte da responsabilidade pelo seu infortúnio.
O melhor exemplo que posso aqui indicar para ilustrar aquilo que digo, é o Governo. Neste país toda a gente se queixa do Governo. Mas, se a culpa é do Governo como é que os membros do Governo lá chegaram?! As pessoas que se queixam do Governo votaram no partido que veio a constituir Governo. Então que legitimidade tem as pessoas que votaram no partido que constituiu Governo para se queixarem dele sem primeiro se queixarem delas próprias por terem votado no partido? Nenhuma, digo eu.
Porém, nem toda a gente vota no partido que constitui Governo, pois em muitas eleições, a maioria dos eleitores abstêm-se. Neste caso, considero que a legitimidade para se queixarem ainda é completamente nula.
Na minha perspectiva, as únicas que pessoas com legitimidade para se queixarem do Governo são aquelas que se deram ao trabalho de ir às urnas votar e que não votaram nos vencedores.
O melhor exemplo que posso aqui indicar para ilustrar aquilo que digo, é o Governo. Neste país toda a gente se queixa do Governo. Mas, se a culpa é do Governo como é que os membros do Governo lá chegaram?! As pessoas que se queixam do Governo votaram no partido que veio a constituir Governo. Então que legitimidade tem as pessoas que votaram no partido que constituiu Governo para se queixarem dele sem primeiro se queixarem delas próprias por terem votado no partido? Nenhuma, digo eu.
Porém, nem toda a gente vota no partido que constitui Governo, pois em muitas eleições, a maioria dos eleitores abstêm-se. Neste caso, considero que a legitimidade para se queixarem ainda é completamente nula.
Na minha perspectiva, as únicas que pessoas com legitimidade para se queixarem do Governo são aquelas que se deram ao trabalho de ir às urnas votar e que não votaram nos vencedores.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Everton vs Sporting
Daqui a alguns minutos começa o jogo da Liga Europa entre o Everton e o Sporting. Como adepto do clube português e também como português irei ver o jogo e torcer pela equipa de Alvalade.
Contudo, não posso deixar de manifestar o meio receio por mais um mau jogo da equipa portuguesa. O SCP está a atravessar um mau período. E parece que não vai desaparecer tão depressa. Os maus resultados têm sido frequentes, mas mais grave do que os maus resultados são as más exibições. Os maus jogos de futebol do SCP são o espelho do mau futebol praticado no nosso campeonato.
Na generalidade à falta de motivação e empenho dos jogadores junta-se um grupo de treinadores a quem faltam capacidades para estarem ao nível dos bons campeonatos europeus. Mas mais do que tudo faltam-nos bons dirigentes desportivos. Os líderes dos clubes nacionais não percebem nada de gestão e tentam colocar os clubes nacionais a viver acima das suas reais possibilidades.
A única forma de parar esta tragédia grega do futebol nacional é acabar com a rotação de maus jogadores e maus treinadores entre as equipas de futebol. E os dirigentes desportivos devem gerir os clubes dentro das suas possibilidades.
Contudo, não posso deixar de manifestar o meio receio por mais um mau jogo da equipa portuguesa. O SCP está a atravessar um mau período. E parece que não vai desaparecer tão depressa. Os maus resultados têm sido frequentes, mas mais grave do que os maus resultados são as más exibições. Os maus jogos de futebol do SCP são o espelho do mau futebol praticado no nosso campeonato.
Na generalidade à falta de motivação e empenho dos jogadores junta-se um grupo de treinadores a quem faltam capacidades para estarem ao nível dos bons campeonatos europeus. Mas mais do que tudo faltam-nos bons dirigentes desportivos. Os líderes dos clubes nacionais não percebem nada de gestão e tentam colocar os clubes nacionais a viver acima das suas reais possibilidades.
A única forma de parar esta tragédia grega do futebol nacional é acabar com a rotação de maus jogadores e maus treinadores entre as equipas de futebol. E os dirigentes desportivos devem gerir os clubes dentro das suas possibilidades.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Liberdade vs Responsabilidade
A liberdade é um termo difícil de explicar, mas de forma geral pode-se dizer que é uma forma de vida sem submissão, servidão e/ou opressão. A liberdade é algo a que se dá mais valor quando não se possui, mas que é tão necessária como o ar. Assim, a liberdade é um direito.
A responsabilidade é a obrigação de cumprir as nossas obrigações enquanto cidadãos, familiares, empregados, etc. Portanto, ser responsável é o dever de cada membro da sociedade.
Em democracia todos os cidadãos têm liberdade e responsabilidade, pois de outra forma não existe democracia. Por outras palavras, cada um pode fazer o que bem entender desde que não falte às suas obrigações.
O Estado existe para servir o cidadão, mas o cidadão também tem de ajudar o Estado a cuidar do cidadão. Na essência democrática existe uma simbiose entre o Estado e o povo, porque o povo é o Estado e o Estado é o povo.
A responsabilidade é a obrigação de cumprir as nossas obrigações enquanto cidadãos, familiares, empregados, etc. Portanto, ser responsável é o dever de cada membro da sociedade.
Em democracia todos os cidadãos têm liberdade e responsabilidade, pois de outra forma não existe democracia. Por outras palavras, cada um pode fazer o que bem entender desde que não falte às suas obrigações.
O Estado existe para servir o cidadão, mas o cidadão também tem de ajudar o Estado a cuidar do cidadão. Na essência democrática existe uma simbiose entre o Estado e o povo, porque o povo é o Estado e o Estado é o povo.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Sou republicano...
Sou republicano por princípio, mas reconheço que em alguns países a monarquia é o melhor sistema. Em Espanha, na Bélgica e no Reino Unido a monarquia serve para manter a unidade e a estabilidade do Estado como um todo. Porém, estes países são Estados compostos por duas ou mais nações. Neste tipo de Estados um sistema republicano pode não garantir tão facilmente a unidade nacional como a monarquia.
Em Portugal, a República comemora 100 anos. Se foi ou não implantada contra a vontade popular, julgo que já não é uma questão fundamental. Os monárquicos estão sempre a reclamar um referendo à República, dizem eles que é para que esta se legitime. Não vejo porque não acabamos com as suas ilusões num referendo. Se há algo que não falta à República é legitimidade. A II República foi implantada a 25 de Abril de 1974, e a legitimidade dela vem da vontade popular em enterrar a ditadura do Estado Novo. Aliás, em cada acto eleitoral realizado essa legitimidade é renovada.
O único argumento monárquico para a existência de um rei é que ele seria preparado para executar as funções, pelo que estaria melhor preparado do que um Presidente. Este argumento é pura demagogia. E se a pessoa em questão não tiver capacidade para executar as funções de Chefe de Estado? Pode renunciar. E se não quiser renunciar? O Parlamento substitui o rei. Então para quê ter estas dúvidas e não dar liberdade aos cidadãos de escolherem a pessoa que eles acham que está melhor capacitada para executar as funções de Chefe de Estado?
A República é inequivocamente o melhor regime desde que o povo possa escolher através de voto livre e secreto o Presidente da República.
Em Portugal, a República comemora 100 anos. Se foi ou não implantada contra a vontade popular, julgo que já não é uma questão fundamental. Os monárquicos estão sempre a reclamar um referendo à República, dizem eles que é para que esta se legitime. Não vejo porque não acabamos com as suas ilusões num referendo. Se há algo que não falta à República é legitimidade. A II República foi implantada a 25 de Abril de 1974, e a legitimidade dela vem da vontade popular em enterrar a ditadura do Estado Novo. Aliás, em cada acto eleitoral realizado essa legitimidade é renovada.
O único argumento monárquico para a existência de um rei é que ele seria preparado para executar as funções, pelo que estaria melhor preparado do que um Presidente. Este argumento é pura demagogia. E se a pessoa em questão não tiver capacidade para executar as funções de Chefe de Estado? Pode renunciar. E se não quiser renunciar? O Parlamento substitui o rei. Então para quê ter estas dúvidas e não dar liberdade aos cidadãos de escolherem a pessoa que eles acham que está melhor capacitada para executar as funções de Chefe de Estado?
A República é inequivocamente o melhor regime desde que o povo possa escolher através de voto livre e secreto o Presidente da República.
O Polvo
O jornal ‘Sol’ lançou hoje uma edição que já não consegui encontrar nas bancas. É incrível como em poucas horas uma edição se esgota de forma tão rápida. Se ao menos o primeiro-ministro conseguisse fazer com que o nosso défice ou a nossa dívida pública evaporassem tão rapidamente como fez evaporar das bancas esta edição do ‘Sol’!
Criticar é Ajudar
Ao reler a minha mensagem anterior neste blogue, senti que tinha apresentado um cenário demasiado pessimista e sem nenhuma solução de fundo. Assim, seguindo o princípio de que quem critica só o deve fazer se tiver por objectivo ajudar, procurarei ao longo do tempo apresentar soluções para os problemas que destacarei.
Claro que nem tudo está mal neste país e no mundo, mas deve-se procurar sempre aperfeiçoar o que está bem e alterar o que está menos bem. Sem esse objectivo, o acto criticar não seria nada mais do que a pura hipocrisia.
Claro que nem tudo está mal neste país e no mundo, mas deve-se procurar sempre aperfeiçoar o que está bem e alterar o que está menos bem. Sem esse objectivo, o acto criticar não seria nada mais do que a pura hipocrisia.
Reformar Portugal
Como português considero que são precisas mudanças profundas neste país à beira mar plantado. A estabilidade e a confiança nas instituições democráticas são tão baixas que colocam em causa o Estado de direito e as liberdades outrora conquistadas.
Os constantes escândalos aliados à inalterável crise que este país sempre atravessa tornam o povo descrente no país e nos portugueses. Mas como não é aconselhável dissolver o povo e eleger outro, deve-se reformar o sistema vigente. Na prática ou mudamos ou morremos, pois não creio que se tenha uma terceira hipótese. Contudo, enquanto o doente respirar ainda há esperança.
Mas quando falo em reforma do sistema vigente não significa o regresso à monarquia ou à ditadura. É necessário manter a II República ao mesmo tempo que este país precisa de reformar-se de cima a baixo ou de baixo a cima. Porquê?
Porque o português comum está a sofrer com todas as dificuldades que diariamente enfrenta e porque toda a riqueza gerada neste país vai para a nossa ‘nobreza’. A ‘nobreza’ a que me refiro (conscientemente colocada entre aspas) é composta pelos corruptos que mandam neste país, e que apenas se preocupam em satisfazer as suas próprias necessidades. A corrupção assola-nos de Norte a Sul e de Este a Oeste, todos a vêem mas ninguém levanta um braço contra ela, pela simples razão de que caso o tente fazer arrisca-se a ficar sem ele…
Os constantes escândalos aliados à inalterável crise que este país sempre atravessa tornam o povo descrente no país e nos portugueses. Mas como não é aconselhável dissolver o povo e eleger outro, deve-se reformar o sistema vigente. Na prática ou mudamos ou morremos, pois não creio que se tenha uma terceira hipótese. Contudo, enquanto o doente respirar ainda há esperança.
Mas quando falo em reforma do sistema vigente não significa o regresso à monarquia ou à ditadura. É necessário manter a II República ao mesmo tempo que este país precisa de reformar-se de cima a baixo ou de baixo a cima. Porquê?
Porque o português comum está a sofrer com todas as dificuldades que diariamente enfrenta e porque toda a riqueza gerada neste país vai para a nossa ‘nobreza’. A ‘nobreza’ a que me refiro (conscientemente colocada entre aspas) é composta pelos corruptos que mandam neste país, e que apenas se preocupam em satisfazer as suas próprias necessidades. A corrupção assola-nos de Norte a Sul e de Este a Oeste, todos a vêem mas ninguém levanta um braço contra ela, pela simples razão de que caso o tente fazer arrisca-se a ficar sem ele…
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Testudo Et Lepus
Esta é a primeira mensagem deste blogue, por isso julgo que é apropriado explicar qual o significado da escolha do nome do blogue e do respectivo endereço. Como penso que não vale a pena escrever aqui a fábula limito-me a explicar os meus motivos.
A escolha do nome tem como objectivo evocar que nunca se deve desistir perante as adversidades e que não se deve subestimar a nossa própria força de vontade. De igual modo, também não se deve menosprezar os outros.
No que concerne ao endereço a justificação é mais complexa. Por um lado, a história foi escrita por Esopo na Antiguidade Clássica, só que não sei como se escreve (tartaruga e lebre) em grego pelo que não considero o latim inadequado. Por outro lado, considero que o legado dos romanos não deve ser menosprezado. Portanto, o endereço ficou em latim.
E foi assim que me surgiu a ideia para o título e para o endereço deste blogue. Qual será o seu conteúdo e o seu fim, não sei ao certo, mas também não acho que seja uma questão essencial.
A escolha do nome tem como objectivo evocar que nunca se deve desistir perante as adversidades e que não se deve subestimar a nossa própria força de vontade. De igual modo, também não se deve menosprezar os outros.
No que concerne ao endereço a justificação é mais complexa. Por um lado, a história foi escrita por Esopo na Antiguidade Clássica, só que não sei como se escreve (tartaruga e lebre) em grego pelo que não considero o latim inadequado. Por outro lado, considero que o legado dos romanos não deve ser menosprezado. Portanto, o endereço ficou em latim.
E foi assim que me surgiu a ideia para o título e para o endereço deste blogue. Qual será o seu conteúdo e o seu fim, não sei ao certo, mas também não acho que seja uma questão essencial.
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