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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Não estou indignado


A indignação é uma coisa que a mim não me assiste. É assim que posso resumir o meu pensamento e os meus actos relativamente ao movimento dos indignados.

Partilho com muitos jovens, e outros não tão jovens, a vontade de querer construir uma sociedade mais justa e fraterna, mas a ideia de que vivemos numa falsa democracia é tão irreal que nem sequer a consigo contemplar. Para mim o termo democracia verdadeira é uma mão cheia de nada. A democracia é uma construção constante, é um organismo vivo que necessita de participação activa dos cidadãos que compõem a sociedade. Não precisamos de indignação, precisamos de agir.

De igual forma, rejeito as comparações com o que se passa do outro lado do Mediterrâneo. Não escondo a satisfação com a queda de regimes autoritários e os passos rumo à democracia no Norte de África e no Médio Oriente. Após a Primavera árabe nada será como dantes, e quero referir que é de soberba importância que a Europa saiba apoiar as sociedades destas novas democracias que estão a nascer à nossa porta.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

As Abomináveis Ideologias Políticas

As ideologias prometem o paraíso na terra e amarram o pensamento dos crentes, que uma vez convertidos tendem a ficar presos aos espartilhos ideológicos na prática política e no seu discurso, impedindo o estabelecimento de pontes com os outros. Eu não efectuei uma comparação entre a ideologia e a religião ao usar a palavra crente, pois é crente aquele que acredita em algo, não sendo o termo exclusivamente religioso.

A noção de ideologia só surgiu no período da revolução francesa, e muitas acções e ideias foram efectuadas e criadas antes de Napoleão classificar o conde de Tracy e os seus seguidores de "ideólogos" no sentido de "deformadores da realidade". É importante destacar que ideologia não é o mesmo que visões do mundo. As ideologias políticas são um conjunto de ideias, princípios, doutrinas, mitos ou símbolos indissociáveis que explicam como a sociedade deve funcionar, e que pretende uma determinada ordem social, económica e política. São pressupostos teóricos sobre um dado assunto sobre como o mundo deveria ser e não como é. Por outras palavras, as ideologias são profecias que estabelecem fins inalcançáveis.

As ideologias não são estratégias políticas, nem se limitam a questões individuais como a energia nuclear, a legalização das drogas, o aborto, a pena de morte, etc…

As ideologias estabelecem objectivos, expectativas e acções. É por isso que os partidos políticos baseiam os seus programas em ideologias que defendem certas formas de governo, de sistema económico, saúde, emigração, ambiente, comércio, minorias, etc… De forma sintética as ideologias políticas estabelecem fins e métodos, isto é, como o mundo deve ser e como chegar lá.

A liberdade, a justiça e a felicidade são ideias que mesmo que sejam inacessíveis na sua plenitude devem ser promovidas e sustentadas, porque não são ideologias mas sim faróis apartidários e heterogéneos.

A maioria das pessoas gostaria de acabar com a fome, com a miséria, e com a violência. E eu enquanto indivíduo, acredito que estas só serão erradicadas a longo prazo e através de reformas constantes porque nada é eterno. Não se deve mexer naquilo que funciona bem sem uma boa razão, mas aquilo que funciona mal deve ser modificado ou eliminado. Esta visão é modesta para aqueles que acreditam em quimeras ou em líderes iluminados, mas a história prova que todas as tentativas de criar o paraíso na terra levaram ao inferno.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

A natureza humana

Nos últimos tempos ando a magicar sobre este assunto. A natureza humana é um conjunto de características descritas pela filosofia, que inclui as formas de agir e pensar que todos os seres humanos têm em comum. No entanto, a verdade é que não consigo alcançar uma ideia clara sobre o que é que isto quer dizer.

Temos a noção de que somos tão superiores às demais espécies, apenas porque somos mais inteligentes, pois sem a inteligência já estaríamos extintos. O Homem é a única espécie que não tem nenhuma vantagem física natural que lhe permita sobreviver. Por outras palavras dependemos da nossa inteligência para sobreviver no Mundo.

Contudo, questiono-me qual a vantagem dessa inteligência dentro da nossa espécie. A primeira guerra registada data de 2700 A.C., provavelmente existiram outras antes mas a escrita ainda não tinha sido inventada. Isto quer dizer que há pelo menos 5000 anos que nos andamos a matar uns aos outros. A questão que se me levanta é para quê?

Ora, recentemente deparei-me, e concordei, com a afirmação do historiador britânico James Anthony Froude “Wild animals never kill for sport. Man is the only one to whom the torture and death of his fellow creatures is amusing in itself.” [Os animais selvagens nunca matam por desporto. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes é um divertimento em si mesmo.]

Neste sentido, a única resposta que encontro para a minha questão, de para que é que nos matamos uns aos outros, é para termos ‘poder’. No entanto, esse poder é efémero. A História está cheia de tiranos que torturaram e mataram os seus semelhantes e que por algum tempo pareceram invencíveis, porém no final, de uma forma ou de outra, todos eles caíram.