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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Estado, Empresas e Educação


A situação financeira, económica e social do país e da Europa deteriora-se de dia para dia, resultante da passividade e da austeridade. A sociedade civil precisa de se mobilizar, pois a complexidade dos problemas exigem respostas às quais as instituições estatais não conseguem dar resposta. O sucesso ou o fracasso de Portugal dependerá em larga medida da nossa capacidade em reinventar um modelo de construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

O nosso modelo deve ser readaptado às novas exigências mundiais com total respeito pelas instituições democráticas. A transparência deve ser a regra e não a excepção do funcionamento do Estado. O rigor nas contas do SNS é importante, mas o princípio é que saúde não é um privilégio mas um direito. E o mesmo princípio deve ser aplicado à educação, à justiça e à segurança.

A crise precisa de uma resposta política e social. A nossa troika deve ser a seguinte: Estado, Empresas e Educação. O Estado precisa de uma reforma administrativa e de simplificar os seus processos de funcionamento. As Empresas têm de ser inovadoras e competitivas, o tempo em que Portugal competia com as produções dos países em desenvolvimento acabou. A Educação tem de ser de qualidade e criar conhecimento em vez de se limitar a transmiti-lo.

O reforço das condições de trabalho e o aumento da qualidade de vida têm de ser os objectivos fundamentais da sociedade. A promoção do emprego, a protecção social e a formação cívica são requisitos fundamentais para o crescimento e desenvolvimento da economia. Para tal um triângulo deve ser estabelecido: um mercado laboral maleável; uma segurança social competente; e políticas activas de empregabilidade.

A crise tem várias ramificações, mas como Bill Clinton destacou na campanha presidencial de 1992, tudo se resume a apenas uma coisa: It's the economy, stupid!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

As Abomináveis Ideologias Políticas

As ideologias prometem o paraíso na terra e amarram o pensamento dos crentes, que uma vez convertidos tendem a ficar presos aos espartilhos ideológicos na prática política e no seu discurso, impedindo o estabelecimento de pontes com os outros. Eu não efectuei uma comparação entre a ideologia e a religião ao usar a palavra crente, pois é crente aquele que acredita em algo, não sendo o termo exclusivamente religioso.

A noção de ideologia só surgiu no período da revolução francesa, e muitas acções e ideias foram efectuadas e criadas antes de Napoleão classificar o conde de Tracy e os seus seguidores de "ideólogos" no sentido de "deformadores da realidade". É importante destacar que ideologia não é o mesmo que visões do mundo. As ideologias políticas são um conjunto de ideias, princípios, doutrinas, mitos ou símbolos indissociáveis que explicam como a sociedade deve funcionar, e que pretende uma determinada ordem social, económica e política. São pressupostos teóricos sobre um dado assunto sobre como o mundo deveria ser e não como é. Por outras palavras, as ideologias são profecias que estabelecem fins inalcançáveis.

As ideologias não são estratégias políticas, nem se limitam a questões individuais como a energia nuclear, a legalização das drogas, o aborto, a pena de morte, etc…

As ideologias estabelecem objectivos, expectativas e acções. É por isso que os partidos políticos baseiam os seus programas em ideologias que defendem certas formas de governo, de sistema económico, saúde, emigração, ambiente, comércio, minorias, etc… De forma sintética as ideologias políticas estabelecem fins e métodos, isto é, como o mundo deve ser e como chegar lá.

A liberdade, a justiça e a felicidade são ideias que mesmo que sejam inacessíveis na sua plenitude devem ser promovidas e sustentadas, porque não são ideologias mas sim faróis apartidários e heterogéneos.

A maioria das pessoas gostaria de acabar com a fome, com a miséria, e com a violência. E eu enquanto indivíduo, acredito que estas só serão erradicadas a longo prazo e através de reformas constantes porque nada é eterno. Não se deve mexer naquilo que funciona bem sem uma boa razão, mas aquilo que funciona mal deve ser modificado ou eliminado. Esta visão é modesta para aqueles que acreditam em quimeras ou em líderes iluminados, mas a história prova que todas as tentativas de criar o paraíso na terra levaram ao inferno.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mais vale tarde do que nunca

A 30 de Janeiro de 1972, em Derry na Irlanda do Norte, aproximadamente dez mil pessoas apareceram para marchar contra a prisão, sem julgamento, de activistas republicanos. A marcha foi convocada pela Associação de Direitos Cívicos da Irlanda do Norte.

No entanto, a marcha não foi autorizada e o Exército britânico foi mobilizado para lhe cortar o caminho. Assim, quando os manifestantes foram impedidos de avançar para o centro de Derry por uma barricada do exército, a marcha desviou-se para uma rua paralela.

Todavia, alguns jovens manifestantes, começaram a atirar pedras aos soldados. Os soldados responderam com balas de borracha e gás lacrimogéneo. De seguida, o 1.º Batalhão de pára-quedistas avançou sobre a multidão. No final da tarde 13 tinham sido mortas e outras 14 estavam feridas, uma das quais acabaria por falecer.

Como consequência, centenas de jovens republicanos juntaram-se às fileiras do IRA, o que acabaria por intensificar o conflito. O ano de 1972 viria a ser o ano mais violento dos troubles.

Agora a 15 de Junho de 2010, 38 anos depois, o mais longo e oneroso inquérito judicial da história britânica concluiu que as 14 mortes do Domingo Sangrento foram "erradas" e "injustificadas".

O primeiro-ministro britânico declarou que o que aconteceu não deveria ter acontecido. O inquérito foi aberto em 1998 por ordem de Tony Blair, antes do Acordo de Belfast desse mesmo ano. O relatório – cerca cinco mil páginas – custou perto de 200 mil libras. Porém, a paz e a justiça valem o preço deste inquérito.