A aliança atlântica é composta por 28 Estados que aprovaram na semana passada o novo conceito estratégico em Lisboa. Ao contrário do Tratado de Lisboa é possível conseguir lê-lo, pois tem apenas 12 páginas. Por seu turno, a UE que conta actualmente com 27 Estados-membros (21 dos quais membros da aliança atlântica), também tem disposições sobre as áreas presentes no conceito estratégico da NATO. Perante isto, levanta-se a questão: existe necessidade de existirem duas organizações? A resposta é sim, não é só porque os EUA e o Canadá são membros da NATO e não podem vir a ser da UE, mas porque as duas organizações têm papéis e propósitos distintos a desempenhar.
Numa época em que se exige rigor orçamental, a cooperação entre as duas organizações é uma boa ideia. Assim, a colaboração da NATO com a Agência Europeia de Defesa (AED) evitará duplicação de esforços e diminuirá as despesas militares de todos. Com a excepção da Dinamarca todos os membros da UE participam nos programas da AED. E a Noruega também participa na AED, embora sem direito de voto.
A colaboração permite que as duas organizações se complementem. A sinergia entre a NATO e a UE é essencial porque não são organizações contraditórias. Aliás, a NATO e a UE são o pai e a mãe da nossa sociedade dita ‘ocidental’.
A NATO enquanto organização militar de segurança colectiva evita os sentimentos de insegurança e medo entre os aliados. Neste sentido, é uma organização que fomenta a paz entre as nações. Por outras palavras, a NATO dá segurança, salvaguarda-nos de perigos e serve para combater eventuais ameaças. Comparo a NATO a um pai porque se dispõe a impor uma certa ordem que pode passar por acções de força, sempre tendo em vista a segurança dos seus membros como fim. A NATO visa prevenir o mal.
Por sua vez a UE é mais difícil de caracterizar. Não é uma organização de segurança colectiva, mas favorece a paz por outros meios. É um garante do nosso bem-estar, fomentando-o com as suas políticas. A analogia com uma mãe é alcançada porque as acções da UE têm por objectivo dar-nos qualidade de vida, ou seja fazer-nos sentir bem. A UE visa promover o bem.
A NATO e a UE fornecem aos Estados e às suas respectivas populações: segurança, prosperidade e desenvolvimento.



